As hérnias são protusões de órgãos ou apenas gordura através da parede do abdome e geralmente ocorrem pelo enfraquecimento, afastamento ou a ruptura da musculatura abdominal adquiridos ao longo da vida. Algumas hérnias podem estar presentes desde o nascimento, por orifícios que deveriam ter sido fechados durante o desenvolvimento fetal, e são denominadas hérnias congênitas.
É uma patologia muito comum, estimada entre 3% a 8%, sendo cinco a seis vezes mais comum no sexo masculino. Cerca de 75% de todas as hérnias ocorrem na região inguinal. As hérnias incisionais (pós-operatórias) e ventrais representam aproximadamente 10% de todas as hérnias e as femorais, apenas 3%. As hérnias incomuns são responsáveis por 5% a 10% dos casos restantes. Seus sintomas podem ser muito variados e dependem do tamanho e localização da hérnia. Algumas pessoas podem nem saber que tem hérnia e outras já podem ter sintomas como dor, desconforto e muito incômodo ou até descobrirem a doença em uma situação já de urgência cirúrgica.
No exame físico os pacientes apresentam um abaulamento no local da hérnia que pode regredir (reduzir) ou não. As hérnias tendem a aparecer em situações de esforço físico, que provocam o aumento da pressão intra-abdominal, como exercícios, tosse, esforço miccional (em doenças da próstata, por exemplo) e levantar pesos. Em casos de urgência, quando o conteúdo do saco herniado fica preso (estrangulado), o paciente pode apresentar fortes dores abdominais, náuseas, vômitos e interrupção das evacuações e eliminação de gases.
O diagnóstico da hérnia é clínico, feito através do exame físico minucioso do cirurgião geral. Em alguns casos, exames de imagem podem auxiliar no diagnóstico de hérnias menores ou em regiões incomuns. Nestes casos a ultrassonografia, a tomografia computadorizada e a ressonância magnética focadas no estudo das hérnias podem auxiliar no diagnóstico e no planejamento cirúrgico.
O tratamento das hérnias sintomáticas é sempre cirúrgico. Casos de exceção ou de doenças graves associadas podem ser tratados de forma não-operatória e devem ser avaliados pelo cirurgião.
Na cirurgia, o orifício da hérnia deverá ser fechado por meio de diferentes técnicas cirúrgicas individualizadas em cada caso, podendo ser feita por via aberta (cirurgia convencional) ou por via minimamente invasiva (laparoscopia ou robótica). Muitas vezes uma tela de material cirúrgico é utilizada para reduzir o risco de recorrência da hérnia.
Contamos hoje com telas muito modernas de diferentes tipos de material e tamanho adequadas para cada caso. Nas hérnias incisionais (pós-cesárea, por exemplo) pode ser associado cirurgia plástica reparadora e trabalhado em conjunto com o cirurgião plástico para correção estética associada se for o desejo do paciente.
Todas as opções cirúrgicas, riscos, vantagens e desvantagens de cada técnica devem ser conversado entre o cirurgião e o paciente na primeira consulta. O planejamento cirúrgico é fundamental pois é necessário um período pequeno de afastamento de atividades físicas e esforço no pós-operatório.
Referências e mais informações: