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Cada vez mais o médico se depara com a seguinte queixa no consultório: ?tenho problema de tireoide?. E nós, cirurgiões, com a procura de atendimento pelo surgimento de nódulos.


Primeiramente, é preciso entender que todos temos a glândula tireoide em nosso corpo. É um órgão localizado no pescoço, responsável pela produção dos hormônios tireoidianos ? a triiodotironina (T3) e tiroxina (T4) que participam na regulação e equilíbrio do metabolismo corporal. Algumas pessoas podem ter um desequilíbrio na produção destes hormônios, aumentados ou diminuídos, e necessitam de avaliação e tratamento pelo endocrinologista.


Outra situação é a presença de nódulos. Na maioria dos casos a produção dos hormônios é normal, porém, no exame físico ou no ultrassom podem ser detectados nódulos na tireoide. Nessa situação, não se deve ter medo e preocupação imediata: nódulos são alterações comuns de todo tecido celular, que podem surgir em todos órgãos do corpo humano. Nem sempre nossas células são iguais, homogêneas, e pequenas diferenças podem existir entre elas e nem sempre serem causadores de doenças.


Nódulos são comuns


Na glândula tireoide o nódulo se manifesta como uma massa de células que proliferaram ou um cisto cheio de líquido que se forma dentro da tireoide e são muito comuns, cerca de 50% da população adulta tem nódulos na tireoide. Entretanto, o câncer de tireoide é raro, correspondendo apenas a 8% dos nódulos nos homens (8 em cada 100) e em 4% dos nódulos em mulheres. Assim, cerca de 90% dos nódulos de tireoide são benignos (não-cancerosos).


Sintomas  


O cirurgião precisa atuar para detectar e tratar os nódulos que se transformam nestes tumores malignos (câncer). Alguns nódulos podem crescer rapidamente apresentar sintomas. O paciente ou um familiar próximo observa um aumento da região do pescoço, ou um ?caroço? e sente sintomas compressivos como falta de ar ou dificuldade de deglutição. Muitas vezes os nódulos são tão pequenos que não apresentam sintomas e são detectados em exames de imagem, geralmente, o ultrassom, para investigação de outras doenças. Alguns casos de câncer de tireoide familiar ou em pacientes muito jovens também devem ser investigados e pesquisados precocemente.


Tratamento


A conduta diante de um nódulo tireoidiano vai depender inicialmente do seu aspecto e achados no ultrassom. Os nódulos benignos têm características distintas dos nódulos malignos e um exame com boa qualidade e resolução é mandatório nestes casos.


Dependendo das características é possível determinar se esse nódulo é benigno e pode ser apenas acompanhado, ou se é pouco ou muito sugestivo de malignidade. Temos hoje uma classificação da Sociedade Americana de Radiologia, a TI-RADS para nódulos tireoidianos similar à classificação de nódulos da mama (BI-RADS). Essa classificação auxilia e orienta a conduta, como, por exemplo, se o nódulo deve ser puncionado (coletado com agulha algumas células para biópsia e análise) ou se algum outro exame complementar deve ser realizado.


Baseado neste conjunto de resultados o cirurgião poderá decidir o melhor tratamento indicado, se apenas a observação e exames periódicos deverão ser feitos ou se a cirurgia deverá ser indicada. A decisão de manter uma parte da tireoide ou remoção de toda a glândula, assim como os gânglios (linfonodos) da região do pescoço dependeram muitas fez do laudo da biópsia por agulha (PAAF) e suspeita do tipo celular do nódulo. Tumores muito agressivos, que são bem raros, podem precisar de tratamento complementar a cirurgia. O exame, a conversa e confiança do paciente com o cirurgião é a base para esclarecer dúvidas e a segurança de pacientes portadores de nódulos tireoidianos.

 

Para mais informação e referências:


https://www.endocrino.org.br/entendendo-tireoide-nodulos/

https://radiopaedia.org/articles/acr-thyroid-imaging-reporting-and-data-system-acr-ti-rads

https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-de-tireoide